Insólito

‘Sofri um estupro coletivo no dia do meu casamento’

Reprodução/Twitter

A pastora queniana Terry Gobanga foi sequestrada e estuprada no dia do seu casamento em Nairóbi, no Quênia. A mulher revelou à “BBC” em uma matéria publicada nesta sexta-feira (30) como superou este e uma sequência de tragédias que vieram a seguir, até escrever um livro e fundar uma ONG que oferece “terapia e apoio” a “sobreviventes de estupro”.

Terry voltava para casa depois de levar uma amiga para o ponto de ônibus quando foi abordada por trás por um homem e atirada no banco traseiro de um veículo. Os três homens que estavam no carro a agrediram e se revezaram para estuprá-la.

Lutando para sobreviver, Terry mordeu o pênis de um dos agressores. Neste momento, ela foi esfaqueada na altura do estômago e atirada para fora do carro em movimento.

Moradores do local vieram socorrê-la e acharam que a mulher estava morta, pois a pulsação era muito baixa. Foi então que a enrolaram num lençol e seguiram em direção ao necrotério. Terry conta que tossiu no caminho e um policial perguntou: “Você está viva?” e fez o retorno para o hospital mais próximo.

A mulher estava inconsciente, seminua, coberta de sangue e com o rosto inchado por conta de um soco. Por algum motivo, a enfermeira-chefe desconfiou que ela era uma noiva: “Vamos às igrejas perguntar se não há uma noiva desaparecida”, disse a profissional às demais enfermeiras. Foi assim que a família de Terry foi localizada. Estavam todos desesperados com o sumiço.

No hospital, a vítima teve o que ela chama de “uma das piores notícias” que recebeu na vida: “O ferimento foi muito profundo e atingiu seu útero, e você não poderá ter filhos”.

Três meses depois do ataque, Terry e seu noivo Harry começaram a planejar o segundo casamento, que foi doado por desconhecidos em solidariedade à história amplamente divulgada pela imprensa. A cerimômia aconteceu em julho de 2005, sete meses depois da primeira data.

Um mês depois da lua de mel, o jogo voltou a virar para Terry. O marido acendeu um aquecedor a carvão e o colocou no quarto do casal. Ambos sofreram envenenamento por monóxidos de carbono, mas o homem não resistiu.

“As pessoas pensavam que eu estava amaldiçoada e impediam seus filhos de se aproximar de mim. ‘Há um mau presságio sobre ela’, diziam. Em determinado momento, cheguei a acreditar nisso. Outros me acusaram de matar meu marido. Isso realmente me deixou muito mal – eu estava de luto.”

Anos depois, Terry conheceu um outro homem, Tonny Gobanga, que a pediu em casamento. O casal se uniu oficialmente três anos depois do primeiro casamento da noiva.

Com um ano de casada, veio a surpresa: “me senti mal e fui ao médico – para a minha surpresa, soube que estava grávida”. O casal teve uma menina e uma segunda filha posteriormente.

Recuperada, Terry escreveu o livro “Crawling out of Darkness” (“Rastejando para Fora da Escuridão”, em tradução livre), sobre a história de vida dela com o objetivo de “dar esperanças às pessoas” e criou a ONG “Kara Olmurani”, que auxilia sobreviventes de estupro.

Hoje, a ativista conta que perdoou os seus agressores e superou os traumas.

“O mais importante para mim foi o luto. Passe por cada etapa dele. Fique triste até você conseguir lidar com a situação. Você tem de continuar em frente, mesmo que tenha de rastejar. Mas siga na direção do seu destino porque ele está te esperando.”

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