Cinema e TV

‘Os Incríveis 2’ animação questiona fixação do público por super-heróis

A família de 'Os Incríveis 2': Sr. Incrível (Beto), a Mulher-Elástica (Helena) e os filhos Violeta, Flecha e Zezé - Pixar

NOVA YORK — Quando “Os Incríveis” chegou aos cinemas, o universo cinematográfico Marvel sequer existia. Hollywood ainda não havia transformado os super-heróis dos gibis nas estrelas de fato do atual modelo econômico da indústria cultural americana. E a família Pêra, formada pelo Sr. Incrível (Beto), a Mulher-Elástica (Helena) e os filhos Violeta, Flecha e Zezé (como batizados na versão brasileira), eram, para Brad Bird, os personagens ideais para criticar a pasmaceira dos subúrbios americanos e denunciar o que o diretor acreditava ser um equivocado culto ao conformismo e à mediocridade.

Quatorze anos depois, ele explora, em aguardada sequência, o outro lado da moeda, ao questionar a fixação bem atual do público por seres com poderes extraordinários.

Precisamos, afinal, de super-heróis? E, se a resposta é afirmativa, que tipo de heroísmo nos interessa? Bird encontra respostas em lugares mais ou menos prováveis.

Na casa dos Pêra, agora é Beto quem cuida da família, enquanto Helena embarca em um lobby para o fim da proibição dos super-heróis na vida pública do fictício EUA dos anos 1960. É ela quem bate ponto diariamente, com o objetivo de enfrentar malfeitores, em reviravolta que agradou os fãs da franquia. “Os Incríveis 2” chega aos cinemas brasileiros na quinta-feira com números de fato impressionantes: já arrecadou mais de US$ 350 milhões só nos EUA e bateu o recorde local de melhor bilheteria de estreia de uma animação em todos os tempos.

— Mas este não é um filme com mensagem política. É pura sorte estarmos vivendo este momento de #metoo e Time’s Up. Por outro lado, obviamente, já passou da hora de discutir estes temas e eles aparecem, de forma natural, em “Os Incríveis 2”. Mas com Helena é, também, uma transformação de personagem, fundamental para a história seguir adiante. Algo que acontece, também, por exemplo, com o Zezé — diz Holly Hunter, a vencedora do Oscar por “O piano”, em 1994 que dá voz, no original, a Helena.

Se o consenso da crítica nos dois lados do Atlântico Norte foi a de que a sequência de “Os Incríveis” é quase tão boa quanto o original, as cenas mais celebradas nas resenhas são justamente as de Zezé, especialmente com a designer Edna Moda ou as com um guaxinim para lá de malandro. A decisão de se começar o segundo capítulo da história imediatamente após o fim do primeiro filme deu a Bird a possibilidade de manter o charme central da franquia: a tese de que os superpoderes que valem o ingresso e a razão de ser dos Pêra estão na união de uma família em constante transformação.

— Justamente por isso resolvi não passar a trama quatorze anos à frente da primeira. Se eles tivessem envelhecido, os superpoderes de cada um não refletiriam da mesma maneira suas funções na família, diz Bird, que lembra: — Ora, trabalhei nas primeiras oito temporadas de “Os Simpsons”, e eles não envelheceram um dia sequer. Se segue funcionando maravilhosamente bem para eles, por que não conosco?

Na sequência, Beto é quem acaba lidando com as primeiras turbulências amorosas da filhota Violeta e o despertar dos superpoderes de Zezé. A animação busca mostrar que o verdadeiro heroísmo pode estar escondido em cenários pouco óbvios, como na rotina do lar. Helena, por sua vez, lida com o marketing, a fama e as muitas nuances da verdade, e não apenas no mundo masculino, já que também há personagens femininas de destaque pouco éticas.

AVISO NAS SALAS DE EXIBIÇÃO BRASILEIRAS

Uma das novidades é uma dupla de irmãos do mundo do entretenimento (na versão dublada, eles ganharam as vozes de Flávia Alessandra e Otaviano Costa) interessada em enfatizar o glamour e a fama da realidade dos super-heróis. De origem misteriosa, e aparentemente ao lado de Helena na luta pela legalização dos super-heróis, eles apresentam visões opostas sobre a função dos super-heróis na vida ordinária (e, metaforicamente, no cinema também): salvadores da pátria ou figuras que acabam por diminuir o poder de criatividade e decisão de nós, pobres mortais?

— Beto, enquanto isso, se debate no campo oposto, ao descobrir o que significa de fato ser pai, algo aparentemente ordinário. Ao mesmo tempo, precisa dar força para Helena fazer o que ele, no fim, gostaria de estar fazendo. E assegurar a ela que tudo está absolutamente tranquilo em casa. — diz Craig T. Nelson, que faz a voz de Beto no original.

Nos EUA, depois da confirmação de casos de ataques epiléticos e convulsões após a exibição de uma cena com flashes de luz ininterruptos por mais de 90 segundos e uma campanha intensa nas redes sociais, a Disney enviou avisos para serem expostos nas salas de cinema antes da projeção do filme. A distribuidora de “Incríveis 2” não se manifestou oficialmente sobre o tema, mas autorizou a exibição do alerta informando que “uma curta sequência pode prejudicar pessoas que são suscetíveis à epilepsia ou com fotossensibilidades”. O mesmo acontecerá nos cinemas brasileiros nesta semana. Com informação O Globo.

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